Exercício e perda de peso

2014-11-19


O papel do exercício no “controlo de peso” não se resume ao gasto calórico associado à realização das rotinas. Não negligenciando este aspecto, gostaria de refletir um pouco mais a fundo no impacto que o exercício pode ter na vantagem metabólica que se traduz pelo aumento de massa muscular.

Todos nós na área do exercício e saúde combatemos o sedentarismo e estimulamos os nossos alunos a praticar exercício na maior parte dos dias da semana. Esta recomendação, partilhada por todos nós tal como pelas instituições reconhecidas, faz todo o sentido, “fisiologicamente falando”. Para que haja adaptação é necessário que o estímulo se repita com frequência.

Hoje em dia os ginásio oferecem uma panóplia de actividades de alto desgaste, baseadas no treino de alta intensidade e longa duração que envolve a maior parte da massa muscular em simultâneo. Da mesma forma, a corrida cada vez mais é uma actividade procurada pelo público em geral, como alternativa de exercitar ao ar livre e de gastar calorias com vista ao emagrecimento, leia-se “perda de peso”. Dependendo da intensidade e duração do estímulo, a resposta adrenérgica que estas actividades elicitarão poderá ser de grande magnitude, naturalmente eficaz no início do processo. Afinal as calorias gastas também contam! A sua repetição semana após semana, mês após mês, poderá acabar por ter um efeito crónico negativo em termos metabólicos, principalmente quando acompanhada de dieta hipocalórica/hipoglucídica. Muitas vezes a cronicidade na prática de actividades extenuantes conduz a uma fadiga crescente. E a dieta hipocalórica prolongada poderá conduzir à alteração da função tiroideia, ou seja, à diminuição do metabolismo.

A fadiga acumulada continuamente, a dieta pobre, o stress profissional, o débito de sono, constituem uma teia de eventos fisiológicos que poderão conduzir àquilo que hoje se designa de “fadiga adrenal”.

Quase todos os dias tenho casos de pessoas que aparecem com objectivos de perda de massa gorda, exercitando cada vez mais e comendo cada vez menos, em vão. E muitos desses dias acabo por ter que recomendar “fazer menos exercício” ou “suspender/ diminuir o treino cardiovascular” durante as primeiras semanas de intervenção.

Já publiquei aqui um caso (link), entre vários que tenho, em que este desequilíbrio foi diagnosticado nas análises e em que a recomendação de diminuição do volume de treino e/ou alteração do tipo de treino se mostrou bastante vantajosa. Claro que a nutrição é um factor-chave nestas situações e devem ser seguidas algumas regras básicas.

Nestes casos, o treino que se destina ao aumento de massa muscular – musculação – é o mais produtivo. A musculação (de preferência em formato individualizado) é, sem dúvida, o treino de eleição para a maioria dos casos cujo objectivo é restaurar o metabolismo e reduzir finalmente a percentagem de massa gorda (valor relativo), tal como a massa gorda absoluta (pregas adiposas e perímetros de cintura e abdomen).