Geral

O sono é o momento do dia em que fazemos uma paragem obrigatória para descanso e reparação. Suspendemos a nossa atividade em geral, mantendo as nossas funções vitais e dando repouso a todas as nossas estruturas físicas.
A hormona que permite a indução do sono chama-se melatonina. A melatonina induz a fadiga que sentimos ao final do dia, e é a que nos permite adormecer e proceder à reparação de todas as nossas células, de todos os sistemas do nosso corpo, sendo por isso considerada uma hormona anti-envelhecimento. É a melatonina a responsável, através da utilização de nutrientes essenciais, nomeadamente substâncias antioxidantes, pela regeneração do sistema nervoso central, músculos, articulações, órgãos, ao longo do sono noturno.
Durante a primeira hora de sono existe uma grande produção de hormona de crescimento, sendo uma altura de grande actividade na reparação das nossas células. É um período de grande recuperação de energia física.

Os seres humanos apresentam alterações imunológicas quando expostos a campos eletromagnéticos a partir de tecnologia wireless do dia a dia. A exposição a este tipo de energia tem efeito ao nível do aumento da inflamação e respostas alérgicas. A exposição crónica pode ter como consequência a disfunção imunitária, respostas alérgicas crónicas, respostas inflamatórias e debilidade da saúde, caso ocorra continuamente. Existe uma condição designada como deficiência funcional por híper-eletro-sensibilidade, que atinge 3 a 10% da população em países desenvolvidos tecnologicamente, condição esta que tende a aumentar.
Os limites de segurança atuais não parecem ser suficientes para garantir a saúde pública.
Fonte: “Disturbance of the imune system by electromagnetic fields – A potentially underlying cause for celular damage and tissue repair reduction could lead to disease an impairment” – artigo publicado na revista científica Pathophysiology em 2009, pelo autor Olle Johansson.

A disrupção circadiana (alteração do relógio biológico, dos ciclos sono-vigilia) resulta numa dessincronização dos neurónios (células do Sistema Nervoso Central), o que pode diminuir a amplitude do ritmo circadiano e eventualmente conduzir a desordens metabólicas como obesidade e resistência à insulina.
Bibliografia: “Plasticity of circadian clocks and consequences for metabolism” - artigo de revisão publicado na revista científica Diabetes, Obesity and Metabolism, em 2015. Autores: C. P. Coomans, E. A, Lucassen, S. Kooijman, K. Fifel, T. Deboer, P. N. Rensen, S. Michel etJ. H. Meijer

A primeira evidência da ação direta da melatonina (hormona do sono) nas celulas gordas (adipócitos) foi em 1994, em que foi demostrado em laboratório, um aumento da sensibilidade à insulina em células encubadas com melatonina.
Posteriormente surgiram mais estudos com modelos animais. Nos seres humanos existem receptores de melatonina nas células gordas, como em todos os órgãos do corpo. A melatonina exerce os seus efeitos não só através destes receptores, mas também via Sistema Nervoso Central. Esta hormona exerce um papel de grande importância no equilíbrio homeostático, na regulação da energia dispendida e também no apetite.
Bibliografia: “Inter-relationships of the chronobiotic, melatonin, with leptin and adiponectin: implications for obesity” – artigo de revisão publicado na revista científica Journal of Pineal Research. em 2015. Autores: Karolina Szewczyk-Golec, Alina Wozniak e Russel J. Reiter

Tanto o sono fragmentado como a apneia obstrutiva estão associadas com redução dos níveis de testosterona (hormona produzida por homens, mas também mulheres, em menor escala). A testosterona é crítica no comportamento sexual masculino (e feminino) e reprodução, mas também tem efeitos benéficos na massa muscular e força, adiposidade, densidade óssea, vigor e bem-estar.
Apenas uma semana de privação de sono (apenas 5h de sono por noite) tem um efeito de redução da testosterona em homens jovens em cerca de 10-15%. É importante acrescentar que a redução natural da produção de testosterona com a idade é de cerca de 1-2% por ano!
Os efeitos da redução da testosterona incluem: diminuição da energia, redução da líbido, menor capacidade de concentração e aumento da sonolência.
Fonte: “Effect of 1 Week of Sleep Restriction on Teststerone Levels in Young Healthy Men”, artigo publicado em 2011 na revista científica JAMA pelos autores Rachel Leproult e Eve Van Cauter.

O termo “stress” muitas vezes é mal utilizado. Não é o “trabalho” que é um “stress”, as adaptações que eu tenho que empreender para me adaptar ao trabalho é que constituem o “stress”. Que pode ser absolutamente benévolo, podem até salvar a nossa vida.
Não se deve confundir stress com fontes de stress ou agentes stressores. A atividade física intensa é um bom exemplo de agente stressor que tem poderá ter consequências bastante benévolas, bastante positivas para a saúde. O stress pode ser bem gerido, caso a adaptação física e mental seja pacífica ou bem-sucedida, ou mal gerido caso não ocorra adaptação.
O stress é um conjunto de respostas tanto físicas como mentais, respostas de adaptação que permitem lidar com um desafio, seja no âmbito físico (como no caso do exercício) ou no âmbito mental e afectivo (como, por exemplo, num relacionamento).
Em última instância, o stress é um conjunto de acontecimentos protetores: serve para fugir ou lutar. Este termo “fight or flight” ficou famoso como forma de caracterizar o estado de preparação que se impõe ao nosso corpo e mente mediante uma situação potencialmente stressora.
A interação entre o pensamento, a emoção e a produção de hormonas é visível em tudo na nossa vida: o medo pode-nos fazer fugir de um agressor, e com isso sobreviver; o susto pode-nos fazer despoletar um reflexo de olhar e lutar para nos defendermos; a determinação aliada ao amor podem permitir reunir força para levantar um carro e salvar o nosso filho. Tudo em nós fica mais rápido quando nos expomos a uma onda de produção intensa de adrenalina, por exemplo, pois é a chamada hormona da fuga, a hormona do “medo”, por excelência. Outras hormonas também são segregadas mediante situações de stress: noradrenalina, testosterona e cortisol.
Ao sermos sujeitos a desafios, sejam físicos ou emocionais, a mente age sobre a produção de hormonas. Cada vez mais ouvimos o termo “neuro-endócrino”, apesar de que a medicina convencional destacou estas duas áreas e formou neurologistas e endocrinologistas separadamente. Na realidade os seres humanos são sistemas muito complexos e quase tudo é inseparável do todo.
O sistema nervoso central comanda todas a glândulas, e, por consequência, a produção hormonal. O contrário também acontece, as hormonas podem condicionar o nosso sistema nervoso. A influência é mútua.
Tendo em conta que conseguimos, de certa forma, modular os nossos pensamentos e controlar as nossas emoções, se assim o treinarmos, então poderemos esperar que a mente aja sobre a melhoria das respostas de stress. O termo “treino” aplica-se bastante ao trabalho da vontade sobre a mente. A mente treina-se como um músculo, disciplina-se com a vontade. Pode-se obter grandes resultados de aumento de produtividade com o treino da disciplina mental. Quanto mais se estuda, melhor se consegue estudar, e mais prazer se tira da leitura. Tudo é treino!

O cortisol é uma hormona de stress cuja produção excessiva já foi cientificamente associada ao acúmulo preferencial de gordura na região abdominal. Ou seja, o stress crónico, prolongado, pode predispor para acumular gordura na barriga, paralelamente à perda de gordura na região glúteo-femural, ou seja, nos membros inferiores.
Fonte: “Association between hypercortisolaemia and adipose tissue blood flow in vivo” – estudo publicado na revista científica Lancet, em 2015, pelos autores Manalopoulos K, Thornhill H, Thomas J, Arlt W, Tomilinson J

Os sistemas anatómico e biológico humanos estão desenhados para a atividade física, para a contração muscular. Sem atividade física não poderemos usufruir de saúde e boa forma. Simplesmente não é possível. É humanamente impossível.
Nada substitui a contração muscular. Nenhuma pílula milagrosa que exista ou esteja para vir. Não virá. É um assunto incontornável.
O músculo, como qualquer outro órgão humano, atrofia e entra em disfunção se não for utilizado de acordo com a expectativa genética. Não exercitar o aparato muscular que possuímos, por tempo prolongado, induz desordem metabólica doença.
A não utilização das propriedades contrácteis dos músculos resulta na redução da massa muscular global ou localizada. Por exemplo, durante uma doença prolongada, o acamamento/internamento conduz a perda global de massa muscular. Por outro lado, durante uma imobilização parcial devido a lesão, de um braço ou perna, por exemplo, nota-se uma atrofia significativa do membro implicado com o passar dos dias ou semanas.
A atrofia muscular, tanto a global como a localizada, é acompanhada de uma natural e consequente redução da sensibilidade das células musculares ao uso do açúcar como combustível. Aliás, o uso de qualquer combustível por esse tecido, diminui consideravelmente.
O acúmulo de energia sob a forma de gordura corporal ocorre principalmente em situações de perda global de massa muscular, por exemplo por via de uma vida sedentária, especialmente quando acompanhada de uma elevada ingestão calórica e de açúcares a partir de alimentos processados.
O exercício físico está comprovadamente associado a menor incidência de doenças, tal como é considerado terapêutico em inúmeras situações. Fazer exercício é indiscutivelmente essencial. Está na nossa essência. Até há algumas gerações atrás, a obtenção de alimento estava necessariamente relacionada com a prática de actividade física. Enquanto caçadores-recolectores, condição de sobrevivência para a qual o nosso material genético nos equipou, caçávamos animais e recolhíamos alimentos de origem vegetal. Sempre envolvendo esforço físico. Desde há pouco tempo, basta-nos encomendar comida pela internet (modo mais sedentário) e depois é só abrir a porta do frigorífico.

Nada daquilo que a nossa programação genética alguma vez esperaria.